22/04/2014

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Tahar Ben Jelloun - Felicidade Conjugal - Bertrand Brasil



Leituras de Carol nº 792
Título original: Le Bonheur Conjugale


Existe felicidade conjugal em uma sociedade na qual o casamento é uma instituição inabalável? O protagonista, um pintor obrigado a se aposentar após sofrer um AVC, sofre com a certeza de que sua relação conjugal caótica foi a responsável por seu colapso. Diante disso, com o tempo ocioso e com medo de cair em depressão, ele decide escrever suas memórias, narrando o começo do relacionamento, a má relação com os sogros, o amor louco, a rotina e o ódio que se instalou. Um trabalho de autoanálise, que vai ajudá-lo a encontrar coragem para se libertar da relação destrutiva com a esposa. Esta é a primeira parte do livro, chamada de “O homem que amava demais as mulheres”.

Ao descobrir, por acaso os escritos do marido, a esposa decide escrever sua versão dos fatos. Começa então a segunda metade, intitulada de “Minha versão dos fatos - Resposta a O homem que amava demais as mulheres”. Obviamente, as versões são divergentes, a ponto de o leitor questionar se os dois fizeram parte da mesma história, do mesmo casal.

Sucesso de crítica e multipremiado por toda a Europa, Tahar Ben Jelloun retrata em Felicidade conjugal a história de um homem que resolve pintar seu último quadro: o de seu relacionamento. As cores são fortes, e, como toda obra de arte, sempre há mais de uma opinião sobre o mesmo assunto, a mesma vida, os mesmos atos. 


O título foi o que chamou minha atenção, admito que não conhecia o autor, e tive a certeza que seria uma história que faria qualquer um refletir. Independente do seu estado civil.

Temos aqui a história de um pintor que após sofrer um acidente vascular cerebral que o deixa paralisado e resolve "passar a limpo" escrevendo (com ajuda de um amigo) suas memórias e dentre a sua revisão de vida, que ele intitula "O Homem que Amava Demais as Mulheres"e vai desfiando quais foram os atos e decisões da esposa e da família da esposa, de todos que estão ao seu redor, que o deixaram naquela situação. Ele fala de todos menos da parte em que ele mesmo contribui para tal situação. E também mostra como ele "lutou" contra isso, se envolvendo com outras mulheres e cultivando seus vícios.

Mas ele não sabia que a esposa encontraria todas as suas "reflexões" e tivesse resposta para todas elas. De forma rápida o autor, coloca voz na esposa, e desconstrói toda a argumentação usada pelo pintor.

O livro faz com que façamos uma reflexão sobre o casamento, compromisso, fidelidade e quais os papeis de cada um dentro dele e não são só casal, mas de suas famílias. Apesar do casamento ser um "acordo" entre indivíduos, se cada um deles tem uma família, você acaba "casando" com elas também. Ingênuo aquele que achar que a família não influencia, independente dessa influência ser física ou não.

A história superou minhas expectativas e recomendo para todos.





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