01/06/2016

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Pedro Antônio Gabriel Anhorn - Eu me chamo Antônio - Intrínseca



Leituras de Rebecca n°129

Antônio é o personagem de um romance que está sendo escrito e vivido. Frequentador assíduo de bares, ele despeja comentários sobre a vida — suas alegrias e tristezas — em desenhos e frases escritas em guardanapos, com grandes doses de irreverência e pitadas de poesia. Antônio é perito nas artes do amor, está sempre atento aos detalhes dos encontros e desencontros do coração. Quando está apaixonado, se sente nas nuvens e nada parece ter maior importância, e, quando as coisas não saem como esperado, é capaz de enxergar nas decepções um aprendizado para seguir adiante. Do balcão do bar, onde Antônio se apoia para escrever e desenhar, ele vê tudo acontecer, observa os passantes, aceita conversas despretensiosas por aí e atrai olhares de curiosos. Caso falte alguém especial a seu lado (situação bastante comum), Antônio sempre se acomoda na companhia dos muitos chopes pela madrugada.

A mente por trás de Antônio é Pedro Gabriel. Em outubro de 2012, ele inaugurou a página Eu me chamo Antônio no Facebook para compartilhar o que rabiscava com caneta hidrográfica em guardanapos nas noites em que batia ponto no Café Lamas, um dos mais tradicionais bares do Rio de Janeiro. Em seu primeiro livro, Pedro apresenta histórias vividas por seu alter ego, desde a cuidadosa aproximação da pessoa desejada, o encantamento e a paixão, até o sofrimento provocado pela ausência e a dor da perda. Os guardanapos que inspiram milhares de pessoas na internet agora estão reunidos numa caprichada edição, novo lançamento da Intrínseca.


Conheci o trabalho desse autor antes mesmo do conteúdo dele virar impresso. Eu acompanhava pelo Facebook e achava linda a forma como ele tratava os sentimentos de forma gráfica e simples, bastava transbordar o coração num guardanapo.

O livro reúne tudo que esse personagem sentiu em noites regadas a chope e poesia. E foi esse jeitão informal que me fez ficar tão à vontade pra ler poesia novamente. Esse milagre só quem tinha conseguido, até o momento, era o Drummond (Poetinha fofo <3).

Uma curiosidade que me fez gostar ainda mais da obra foi descobrir que o autor é estrangeiro e brinca com as palavras e os sentidos. É justamente por isso que, pra mim, não é só um monte de peças gráficas e sim o olhar de quem chegou aqui e quis aprender a ler, interpretar e curtir a língua portuguesa.

A leitura é leve e gostosa, me fez parar pra sentir uma nostalgia boa... Me lembrou muito as agendas que eu fazia quando era adolescente, com pensamentos e rabiscos, tudo muito artesanal. 

Antônio, gostaria muito de te pagar um chope um dia só pra aproveitar essa prosa rica. 

Recomendo para quem não tem pressa e gosta de rabiscar o que fala o coração.




Um comentário:

  1. Eu acompanho a página do Facebook há um tempão e sou encantada ♥ nem acreditei quando virou livro! Deve ser uma lindeza só.
    Não sabia que o autor é estrangeiro :O pelo que entendi, ele é Português, isso? OU tô viajando kkk

    Beijos,
    Kemmy - Duas Leitoras

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